clique e assine o feed - RSS

Blog da Lu

Cafezinho com o Professor Silvio Meira, em Recife

12 julho - Publicado pela Lu em 12/07/2012 às 17:46 em Blog.

Como contei a vocês, meu passeio a Recife foi incrível. Começo a sentir uma saudade gostosa e nostálgica e o desejo de voltar em breve. Além de conhecer lugares paradisíacos, tive a oportunidade de reencontrar e conversar com meu amigo, o professor Silvio Meira, que leciona engenharia de software na UFPE e é presidente do conselho da Porto Digital, reconhecida como o maior parque tecnológico do Brasil. Nosso bate-papo foi na sede da organização e de tão enriquecedor, resolvi compartilhar com vocês. Confiram:
Silvio, estou encantada com o Recife! A cidade apresenta uma bagagem histórica e cultural muito enriquecedora, cuidando do passado ao mesmo tempo em que está atenta ao futuro, abrigando um dos maiores pólos de tecnologia do Brasil. Como você enxerga essa relação?
Silvio Meira: Pois é: Recife tem quase 500 anos e toda esta vitalidade inovadora. Acontece que Recife sempre foi uma cidade do conhecimento, da educação. Desde o começo do Brasil, quando os missionários passavam por aqui para entender o país, à primeira faculdade de direito e uma das mais antigas de engenharia, Recife foi este centro de pensamento cultural, de educação e capacitação técnica. História e tecnologia não se opõem de jeito nenhum e talvez, por sinal, assim como História, não haja nada mais humano do que tecnologia. Parece estranho? Pois não é não: que outros animais têm tanta tecnologia como nós? A vasta maioria (assim como não tem História) não tem nenhuma tecnologia, só instinto…
Realmente… A propósito, você mencionou o Porto Digital e estou adorando conhecê-lo. Gostaria que você falasse um pouco mais sobre ele e sua importância não só para o Recife, mas para o nosso país.
Silvio Meira: O Porto Digital é o maior e melhor (segundo a ANPROTEC) parque tecnológico urbano do país. Só nas áreas de software, games, inovação e design são mais de 6500 pessoas em quase duzentas empresas, gerando um faturamento anual perto de R$1 bilhão. Quando levamos em conta os serviços habilitados por software e redes, a maior concentração de call centers do Nordeste e uma das maiores do Brasil também está no Porto Digital, são quase vinte mil pessoas. O Porto Digital, que aconteceu nos últimos dez anos, é sinal de que, mesmo na periferia, é possível inovar, e muito. E também nos diz que os centros das velhas cidades –Recife é uma velha senhora- não podem e não devem ser abandonados, pois são parte de sua alma, e podem ser revividos por uma invasão de negócios limpos, da economia do conhecimento e da criatividade, e se renovar radicalmente.
Uau! Eu sou uma grande fã da tecnologia e para mim a Internet simboliza um grande marco na evolução das relações humanas. Por falar nisso, ao longo desses anos ocorreram significativas mudanças de comportamento, com a criação e disseminação das redes sociais, como o Facebook, por exemplo. Você também acha que essa inovação marca o começo de uma nova era digital?
Silvio Meira: Redes sociais marcam uma era em que não só cada um de nós passou a “escrever” em rede (pois antes só líamos o que havia nos portais, normalmente escrito por profissionais) mas, também, passamos a conectar tudo o que queremos. Se houvesse um marco de quando a internet, como deveria ser, começou a existir, acho que poderíamos dizer que foi a partir do ponto em que cada um de seus usuários passou a contribuir para a formação de “redes usando a rede”, ou seja, passou a criar suas próprias conexões (as redes sociais pessoais) sobre a grande infraestrutura global de redes. Por isso que Facebook e Twitter fazem sucesso, são parte da plataforma global que usamos para formar redes.
Que interessante. O que eu mais gosto na Internet é exatamente essa possibilidade de participar. Agora deixamos de ser meros expectadores e podemos atuar e compartilhar. Diante dessa transformação, você acha que os meios mais convencionais, como a TV e a mídia impressa, vão deixar de existir?
Silvio Meira: A TV não está perdendo, ainda, tempo de audiência. O principal problema da TV é que a interação sobre sua programação está indo para a internet, através da “segunda tela”: muita gente “assiste TV no Facebook” (ou Twitter) e, por lá, interage com as pessoas que também estão assistindo a mesma (ou outra) coisa. Nisso, a TV, ou quem faz a TV, perde uma parte do valor de rede, que é integrado às redes sociais. O que significa que a TV não perde audiência mas perde atenção, e que a transformação da audiência em comunidade não é capturada, como deveria, pela TV. Não dá pra prever, ainda, as consequências de longo prazo desta mudança, mas… se eu “fosse a TV”, estaria muito preocupado.
Já a “mídia impressa”, os jornais e revistas, vêm perdendo audiência, importância e renda de forma significativa e há muito tempo. É possível que estejamos vendo uma espécie do “fim do texto impresso” como forma de comunicar notícias, à medida em que todo mundo se conecta e tem acesso a tudo, na rede, em tempo quase real. Já somos 2.5 bilhões de pessoas em rede, no mundo, e este número vai dobrar até o fim da década. O que quer dizer, talvez, que gente que nunca leu um jornal jamais lerá um jornal impresso, terá acesso a toda informação com que lida através de web, das redes sociais e, muito provavelmente, via uma plataforma móvel.
Falando sobre a presença das pessoas na rede, a inclusão digital é necessária e importante para o desenvolvimento do país, porém alguns especialistas dizem que se não houver uma “educação” digital antes disso, essa tendência pode ser mais perigosa do que se imagina. Como você enxerga essa questão e quais seriam as providências a serem tomadas nesse sentido?
Silvio Meira: Eu não acho que é possível, em escala nacional (e ainda menos global) criar alguma “educação digital” que faça sentido, hoje. O que todos estamos vendo é que as pessoas estão num modo “aprender fazendo” e que o sistema educacional (que seria responsável, em tese, por uma “educação digital”) ficou para trás e luta, desesperadamente, para entender o que está acontecendo no mundo digital, das redes e redes sociais, da robótica e por aí vai. Daqui a algum tempo, talvez, o sistema educacional formal chega lá, descobre o que está acontecendo e sistematiza alguma forma de comunicar isso de forma estruturada às pessoas. Aí ele vai poder cuidar da educação digital desde o maternalzinho. Por enquanto, a vasta maioria do “sistema” está mais perdida do que cachorro em dia de mudança e é melhor a gente deixar ele se encontrar antes de confiar que, a partir dele, vamos ter alguma “educação digital”.
Entre as inúmeras possibilidades que a Internet oferece, uma das mais interessantes é a oportunidade para que as pessoas possam ganhar dinheiro. Lá no Magazine Luiza, por exemplo, criamos o Magazine Você, em que as pessoas podem empreender de forma segura, criando uma lojinha com o suporte da nossa empresa. Você acha que essa é uma tendência crescente? Considera positivo?
Silvio Meira: O Magazine Você é uma grande ideia, ainda mais radical porque tornada prática e a serviço da formação de comunidades de negócios. A mágica, aí, é “usar” Facebook como uma máquina programável, criando a oportunidade para que cada um possa criar a “sua” loja do Magazine, de forma muito simples, para “sua” comunidade: as pessoas passam a promover, para sua rede, produtos em que acreditam e sobre os quais podem dar referências; quem compra comprar de um “vendedor” com quem tem uma relação pessoal e quem vende ainda “ganha” dinheiro. O Magazine Você mostra um caminho que –tenho certeza- será muito usado no futuro, e para muito mais do que estamos pensando hoje. Aliás, quantos segredos a Lu está guardando sobre a evolução do Magazine Você e não está contando pra ninguém (risos), nem pra mim?…
Ah, Silvio, posso revelar que inovação é o segredo do negócio =) Aliás, inovação e bom atendimento! E pensando nisso, não vou resistir: gostaria de convidá-lo a um exercício sobre o futuro: se você dormisse e só acordasse daqui a 20 anos, o que você imagina que veria nas ruas? Como seria o transporte, as escolas, as paisagens e as pessoas?
Silvio Meira: Em vinte anos, haverá gente com quinze anos que só vai nascer em 2017, daqui a cinco anos. E 2017 é quando alguns fabricantes de automóveis acham que os primeiros carros sem motoristas (aqueles que “se dirigem” sozinhos) estarão no mercado por um preço aceitável. Então, quem tiver 15 anos em 2032 vai nascer 15 anos depois dos primeiros carros realmente “automáticos”: vão poder chamar um carro pelo smartphone da época (qual será? uma lente de contato conectada à rede móvel?…) e o tal carro vem, sem motorista, pra levá-los onde quiserem (ou onde puderem pagar pra ir). Isso pode significar que, aos 15 anos de 2032, ninguém vai ficar contando os dias, durante três anos, para tirar carteira de motorista, algo que tem que se tornar obsoleto, no médio prazo, pra gente se livrar da ideia de “ter um carro”. Pois carros têm que ser parte de uma infraestrutura compartilhada de mobilidade, senão será impossível resolver o problema de mobilidade urbana.
Agora, vamos olhar para o que eu acabei de dizer… com os olhos da mudança nas pessoas, e não na tecnologia. Tecnologia habilita mudança, ela própria não muda nada. Se não fizermos uso dela no nosso dia-a-dia, nada acontece. Para que os tais carros “automáticos” aconteçam, talvez tenhamos até que mudar as leis. Provavelmente mudaremos mesmo, proibindo motoristas urbanos, porque ineficientes e, talvez, perigosos demais. Isso muda muita coisa, não é? Inclusive, resolve a Lei Seca… pois deixamos de precisar dela: os carros “automáticos” não aceitam ser dirigidos por nenhum motorista, alcoolizado ou bonzinho da silva. Mas… e o tamanho da mudança de comportamento, de filosofia de vida, pra que isso aconteça… vai vir de onde?
Nossa, possivelmente o transito vai ser bem seguro!
Silvio Meira: O futuro (sempre) já chegou. Às vezes, na maioria das vezes, o conceito antecede a realidade por décadas, séculos. E a realidade, quando chega, não se distribui de forma homogênea, para todos, em todos os lugares, ao mesmo tempo. É sempre muito difícil prever o futuro de forma precisa, “daqui a x anos”. Mas dá pra dizer, sem medo de errar, que certas coisas vão acontecer, como o carro “automático”. Os “velhos”, como eu, vão achar estranho e reagir, talvez, ficando contra. Aquele garoto que nascerá em 2017 vai achar absolutamente normal e talvez nunca entenda como nós, um dia, tivemos que aprender a dirigir… e, ainda por cima, de forma completamente burra, ter que renovar a carteira de habilitação a cada cinco anos. Aliás, a minha vence em 2017: tomara que os tais carros cheguem em Recife até lá…
Quando você fala sobre as pessoas irem contra e reagirem, é mais ou menos o que a gente vê hoje quando encontramos alguém avesso às novas tecnologias. Realmente, tudo que você colocou faz muito sentido, principalmente quando olhamos para o passado e o presente.
Silvio, adorei o nosso bate-papo e o cafezinho. Muito obrigada. Espero poder falar com você mais vezes e confirmar essas ideias daqui a alguns anos.
Eu fiquei muito feliz em conversar com o Silvio. E vocês, o que acharam da conversa? Não deixem de enviar seus comentários!

Como contei a vocês, meu passeio a Recife foi incrível. Começo a sentir uma saudade gostosa e nostálgica e o desejo de voltar em breve. Além de conhecer lugares paradisíacos, tive a oportunidade de reencontrar e conversar com meu amigo, o professor Silvio Meira, que leciona engenharia de software na UFPE e é presidente do conselho do Porto Digital, reconhecido como o maior parque tecnológico do Brasil. Nosso bate-papo foi na sede da organização e de tão enriquecedor, resolvi compartilhar com vocês. Confiram:

silviomeira

==============================

Silvio, estou encantada com o Recife! A cidade apresenta uma bagagem histórica e cultural muito enriquecedora, cuidando do passado ao mesmo tempo em que está atenta ao futuro, abrigando um dos maiores pólos de tecnologia do Brasil. Como você enxerga essa relação?

Silvio Meira: Pois é: Recife tem quase 500 anos e toda esta vitalidade inovadora. Acontece que Recife sempre foi uma cidade do conhecimento, da educação. Desde o começo do Brasil, quando os missionários passavam por aqui para entender o país, à primeira faculdade de direito e uma das mais antigas de engenharia, Recife foi este centro de pensamento cultural, de educação e capacitação técnica. História e tecnologia não se opõem de jeito nenhum e talvez, por sinal, assim como História, não haja nada mais humano do que tecnologia. Parece estranho? Pois não é não: que outros animais têm tanta tecnologia como nós? A vasta maioria (assim como não tem História) não tem nenhuma tecnologia, só instinto…

Realmente… A propósito, você mencionou o Porto Digital e estou adorando conhecê-lo. Gostaria que você falasse um pouco mais sobre ele e sua importância não só para o Recife, mas para o nosso país.

Silvio Meira: O Porto Digital é o maior e melhor (segundo a ANPROTEC) parque tecnológico urbano do país. Só nas áreas de software, games, inovação e design são mais de 6500 pessoas em quase duzentas empresas, gerando um faturamento anual perto de R$1 bilhão. Quando levamos em conta os serviços habilitados por software e redes, a maior concentração de call centers do Nordeste e uma das maiores do Brasil também está no Porto Digital, são quase vinte mil pessoas. O Porto Digital, que aconteceu nos últimos dez anos, é sinal de que, mesmo na periferia, é possível inovar, e muito. E também nos diz que os centros das velhas cidades –Recife é uma velha senhora- não podem e não devem ser abandonados, pois são parte de sua alma, e podem ser revividos por uma invasão de negócios limpos, da economia do conhecimento e da criatividade, e se renovar radicalmente.

Uau! Eu sou uma grande fã da tecnologia e para mim a Internet simboliza um grande marco na evolução das relações humanas. Por falar nisso, ao longo desses anos ocorreram significativas mudanças de comportamento, com a criação e disseminação das redes sociais, como o Facebook, por exemplo. Você também acha que essa inovação marca o começo de uma nova era digital?

Silvio Meira: Redes sociais marcam uma era em que não só cada um de nós passou a “escrever” em rede (pois antes só líamos o que havia nos portais, normalmente escrito por profissionais) mas, também, passamos a conectar tudo o que queremos. Se houvesse um marco de quando a internet, como deveria ser, começou a existir, acho que poderíamos dizer que foi a partir do ponto em que cada um de seus usuários passou a contribuir para a formação de “redes usando a rede”, ou seja, passou a criar suas próprias conexões (as redes sociais pessoais) sobre a grande infraestrutura global de redes. Por isso que Facebook e Twitter fazem sucesso, são parte da plataforma global que usamos para formar redes.

Que interessante. O que eu mais gosto na Internet é exatamente essa possibilidade de participar. Agora deixamos de ser meros expectadores e podemos atuar e compartilhar. Diante dessa transformação, você acha que os meios mais convencionais, como a TV e a mídia impressa, vão deixar de existir?

Silvio Meira: A TV não está perdendo, ainda, tempo de audiência. O principal problema da TV é que a interação sobre sua programação está indo para a internet, através da “segunda tela”: muita gente “assiste TV no Facebook” (ou Twitter) e, por lá, interage com as pessoas que também estão assistindo a mesma (ou outra) coisa. Nisso, a TV, ou quem faz a TV, perde uma parte do valor de rede, que é integrado às redes sociais. O que significa que a TV não perde audiência mas perde atenção, e que a transformação da audiência em comunidade não é capturada, como deveria, pela TV. Não dá pra prever, ainda, as consequências de longo prazo desta mudança, mas… se eu “fosse a TV”, estaria muito preocupado.

Já a “mídia impressa”, os jornais e revistas, vêm perdendo audiência, importância e renda de forma significativa e há muito tempo. É possível que estejamos vendo uma espécie do “fim do texto impresso” como forma de comunicar notícias, à medida em que todo mundo se conecta e tem acesso a tudo, na rede, em tempo quase real. Já somos 2.5 bilhões de pessoas em rede, no mundo, e este número vai dobrar até o fim da década. O que quer dizer, talvez, que gente que nunca leu um jornal jamais lerá um jornal impresso, terá acesso a toda informação com que lida através de web, das redes sociais e, muito provavelmente, via uma plataforma móvel.

Falando sobre a presença das pessoas na rede, a inclusão digital é necessária e importante para o desenvolvimento do país, porém alguns especialistas dizem que se não houver uma “educação” digital antes disso, essa tendência pode ser mais perigosa do que se imagina. Como você enxerga essa questão e quais seriam as providências a serem tomadas nesse sentido?

Silvio Meira: Eu não acho que é possível, em escala nacional (e ainda menos global) criar alguma “educação digital” que faça sentido, hoje. O que todos estamos vendo é que as pessoas estão num modo “aprender fazendo” e que o sistema educacional (que seria responsável, em tese, por uma “educação digital”) ficou para trás e luta, desesperadamente, para entender o que está acontecendo no mundo digital, das redes e redes sociais, da robótica e por aí vai. Daqui a algum tempo, talvez, o sistema educacional formal chega lá, descobre o que está acontecendo e sistematiza alguma forma de comunicar isso de forma estruturada às pessoas. Aí ele vai poder cuidar da educação digital desde o maternalzinho. Por enquanto, a vasta maioria do “sistema” está mais perdida do que cachorro em dia de mudança e é melhor a gente deixar ele se encontrar antes de confiar que, a partir dele, vamos ter alguma “educação digital”.

Entre as inúmeras possibilidades que a Internet oferece, uma das mais interessantes é a oportunidade para que as pessoas possam ganhar dinheiro. Lá no Magazine Luiza, por exemplo, criamos o Magazine Você, em que as pessoas podem empreender de forma segura, criando uma lojinha com o suporte da nossa empresa. Você acha que essa é uma tendência crescente? Considera positivo?

Silvio Meira: O Magazine Você é uma grande ideia, ainda mais radical porque tornada prática e a serviço da formação de comunidades de negócios. A mágica, aí, é “usar” Facebook como uma máquina programável, criando a oportunidade para que cada um possa criar a “sua” loja do Magazine, de forma muito simples, para “sua” comunidade: as pessoas passam a promover, para sua rede, produtos em que acreditam e sobre os quais podem dar referências; quem compra comprar de um “vendedor” com quem tem uma relação pessoal e quem vende ainda “ganha” dinheiro. O Magazine Você mostra um caminho que –tenho certeza- será muito usado no futuro, e para muito mais do que estamos pensando hoje. Aliás, quantos segredos a Lu está guardando sobre a evolução do Magazine Você e não está contando pra ninguém (risos), nem pra mim?…

Ah, Silvio, posso revelar que inovação é o segredo do negócio =) Aliás, inovação e bom atendimento! E pensando nisso, não vou resistir: gostaria de convidá-lo a um exercício sobre o futuro: se você dormisse e só acordasse daqui a 20 anos, o que você imagina que veria nas ruas? Como seria o transporte, as escolas, as paisagens e as pessoas?

Silvio Meira: Em vinte anos, haverá gente com quinze anos que só vai nascer em 2017, daqui a cinco anos. E 2017 é quando alguns fabricantes de automóveis acham que os primeiros carros sem motoristas (aqueles que “se dirigem” sozinhos) estarão no mercado por um preço aceitável. Então, quem tiver 15 anos em 2032 vai nascer 15 anos depois dos primeiros carros realmente “automáticos”: vão poder chamar um carro pelo smartphone da época (qual será? uma lente de contato conectada à rede móvel?…) e o tal carro vem, sem motorista, pra levá-los onde quiserem (ou onde puderem pagar pra ir). Isso pode significar que, aos 15 anos de 2032, ninguém vai ficar contando os dias, durante três anos, para tirar carteira de motorista, algo que tem que se tornar obsoleto, no médio prazo, pra gente se livrar da ideia de “ter um carro”. Pois carros têm que ser parte de uma infraestrutura compartilhada de mobilidade, senão será impossível resolver o problema de mobilidade urbana.

Agora, vamos olhar para o que eu acabei de dizer… com os olhos da mudança nas pessoas, e não na tecnologia. Tecnologia habilita mudança, ela própria não muda nada. Se não fizermos uso dela no nosso dia-a-dia, nada acontece. Para que os tais carros “automáticos” aconteçam, talvez tenhamos até que mudar as leis. Provavelmente mudaremos mesmo, proibindo motoristas urbanos, porque ineficientes e, talvez, perigosos demais. Isso muda muita coisa, não é? Inclusive, resolve a Lei Seca… pois deixamos de precisar dela: os carros “automáticos” não aceitam ser dirigidos por nenhum motorista, alcoolizado ou bonzinho da silva. Mas… e o tamanho da mudança de comportamento, de filosofia de vida, pra que isso aconteça… vai vir de onde?

Nossa, possivelmente o transito vai ser bem seguro!

Silvio Meira: O futuro (sempre) já chegou. Às vezes, na maioria das vezes, o conceito antecede a realidade por décadas, séculos. E a realidade, quando chega, não se distribui de forma homogênea, para todos, em todos os lugares, ao mesmo tempo. É sempre muito difícil prever o futuro de forma precisa, “daqui a x anos”. Mas dá pra dizer, sem medo de errar, que certas coisas vão acontecer, como o carro “automático”. Os “velhos”, como eu, vão achar estranho e reagir, talvez, ficando contra. Aquele garoto que nascerá em 2017 vai achar absolutamente normal e talvez nunca entenda como nós, um dia, tivemos que aprender a dirigir… e, ainda por cima, de forma completamente burra, ter que renovar a carteira de habilitação a cada cinco anos. Aliás, a minha vence em 2017: tomara que os tais carros cheguem em Recife até lá…

Quando você fala sobre as pessoas irem contra e reagirem, é mais ou menos o que a gente vê hoje quando encontramos alguém avesso às novas tecnologias. Realmente, tudo que você colocou faz muito sentido, principalmente quando olhamos para o passado e o presente.

Silvio, adorei o nosso bate-papo e o cafezinho. Muito obrigada. Espero poder falar com você mais vezes e confirmar essas ideias daqui a alguns anos.

==============================

Eu fiquei muito feliz em conversar com o Silvio. E vocês, o que acharam da conversa? Não deixem de enviar seus comentários!

  • PAULO NASCIMENTO

    Olá Miss Lu. Parabens pela excelente entrevista com o professor Meira. Venho acompanhando o Sílvio há mais de dez anos, desde o tempo de um site hoje extinto NO. (Notícias e Opiniões, ponto) uma idéia maravilhosa que antecipou-se ao seu tempo mas entre outras coisas boas revelou-nos o Grande Professor Meiracatú, mas isso é outra história. Deu p'ra ver o "assanho" dele quando farejou Inovação (com I maiúsculo) no "Magazine Você", de vocês. O professor vêm martelando que a INTERNET agora muda a forma de lojas físicas. O faro do professor está apuradíssimo daí ter perguntado – "o que vocês andam escondendo de mim?". Nos escritos do professor Meira percebe-se o quanto ele procura conciliar opostos. Fé e razão. Arte e tecnologia. Criatividade e análise. Humor e seriedade. Por acaso vocês já viram a foto dele à caráter no Bloco do Maracatú Cabra Alada? Não percam!

buscar
sobre o blog

Todos os dias vou falar sobre as mais recentes tendências da internet,além de trazer muitas novidades sobre os produtos que estão fazendo sucesso pelo mundo.

Leia Mais »

Conheça nosso canal
Conheça nosso canal
  •  
  • Visite o nosso site
  •  
  • Só o Magazine Luiza oferece o melhor conteúdo sobre produtos.

® 2009 Magazine Luiza - Todos os direitos reservados